Participou da exposição individual
O professor deverá ser o último a se retirar,
mesmo nos dias de chuva,
pela Temporada de Projetos do Paço das Artes - 2019
Participou da exposição individual
O professor deverá ser o último a se retirar,
mesmo nos dias de chuva,
pela Temporada de Projetos do Paço das Artes - 2019
Participou da exposição individual
Capítulo 1: O corpo mente menos que as palavras,
na Oma Galeria - São Bernardo do Campo - SP - 2018
Participou da exposição individual
Capítulo 1: O corpo mente menos que as palavras,
na Oma Galeria - São Bernardo do Campo - SP - 2018
Participou da exposição individual
Capítulo 2: O professor deverá ser o último a se retirar, mesmo nos dias de chuva,
na Casa do Olhar Luiz Sacilotto - Santo André - SP - 2018
Participou da exposição individual
Capítulo 2: O professor deverá ser o último a se retirar, mesmo nos dias de chuva,
na Casa do Olhar Luiz Sacilotto - Santo André - SP - 2018
Participou da exposição individual
Capítulo 2: O professor deverá ser o último a se retirar, mesmo nos dias de chuva,
na Casa do Olhar Luiz Sacilotto - Santo André - SP - 2018

Instalação

Instalação [detalhe]

Instalação

Instalação [detalhe]

bainha | 2025 | fotoperformance

guaduá | 2025 | óleo sobre tela | 90x110cm

entre-terras | 2025 | óxido em cerâmica de alta temperatura | 25x20cm cada (aprox)

bainha | 2025 | fotoperformance
Em 2025, chego no território do pós-balsa, pela residência Casco, e sou fortemente inundada pela ideia de um corpo d’água que habita junto de rios e matas que foram alagadas — mas que ainda estão aqui. Na primeira noite, sonho com um ser andrógino, que me deixa ver seu rosto coberto por escamas e seus cabelos compridos. Começo então a imaginar essa e outras vidas que operam nas profundezas. Na ambiguidade das águas sobrepostas. Represa sobre rio. Pesquiso ali então materiais que poderia usar na construção de uma fotoperformance. Encontro com o brilho perolado da bainha do bambu e com ela confecciono uma máscara escamada que mais tarde usaria nas fotografias feitas embaixo da rodovia dos imigrantes e dentro da água — num presente de dia em que o sol a pino e a bruma de fim de tarde se fizeram presentes. Não quero classificar esse ser, pois entendo que isso poderia acondicionar suas múltiplas possibilidades. O título que escolho para a fotoperformance é, então, (Bainha) — palavra que vem do latim “vagina” e que significa "estojo" ou "envoltório", origem das palavras “vagina"e “baunilha".
O brilho e as cores das coisas do território ganham meus olhos também nas crostas e ferrugens dos metais e nos fungos nas cascas de árvores. Os terrosos e os rosas alaranjados passam a habitar as pinturas que começo ainda na região. São paisagens que vou encontrando com o óleo, a partir de manchas e texturas prévias feitas com extratos vegetais (Catigua). Esses inframundos vão aparecendo à medida em que revelam também os seres que podem ali existir. Então, a partir da etimologia dos nomes de lugares do território, desenho com óxido em placas de argila que depois foram queimadas em alta temperatura. Essas cerâmicas oxidadas mostram seres hibridizados e transespecíficos, além de animais da região co-existindo (entre-terras). Me interessa ampliar os suportes em vestígios, escombros e impregnações que deem a ver pistas destas existências.
Depois, no ateliê, de volta da represa, olho para o que fiz e que habita as paredes, e encontro imagens caleidoscópicas que são espécies de portais. Na pintura do grande bambu arcado, que sai e volta para a água no fim de tarde rosado, penso alguma síntese de ordem fantástica dessa experiência que tive na região. (Guaduá) é o nome de uma espécie de bambu que significado “imagem da montanha”. Gosto desse corpo envergado sugerir ser uma montanha ou ainda apontar para um corpo que não aparece na imagem. Olho para os seres que habitam junto desse corpo d’água — a margem, o submundo, as travessias. Convivo com essas imagens que, por sua vez, convivem com o que trouxe da represa comigo. Paisagens encontradas, vidas transespecíficas. (Elementos de
passagem) é uma pintura-portal. Um dos últimos trabalhos do ano, depois da represa. Acho que é uma coleção de coisas encantadas que são também pontos de transição que dão acesso às penumbras, às profundezas, aos interstícios.